QUARESMA 2026, SERÁ QUE FOI POSITIVO?

Em 2026, a Quaresma não foi apenas um período de abstinência, mas um momento de afirmação da eficiência da cadeia produtiva brasileira, que soube equilibrar tradição, volume e qualidade.

4/7/20264 min read

A Quaresma de 2026 consolidou-se como o maior período de vendas da história do setor, impulsionada pelo fato de a piscicultura brasileira ter ultrapassado, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas produzidas no acumulado anual.

Aumento de consumo durante o período foi em uma média nacional de 20% de crescimento durante o período quaresmal. Durante o pico da Semana Santa as vendas especificamente para a semana do feriado somaram cerca de 2.400 toneladas apenas nos canais de monitoramento direto das principais associações (Peixe BR e Abrapes), representando um salto de 30% no volume comercializado em comparação com meses normais. A movimentação financeira também foi maior. Somente no entreposto da CEAGESP (São Paulo), o volume comercializado superou 5,1 mil toneladas, gerando um faturamento acima de R$ 71 milhões.

O mercado em 2026 apresentou uma dicotomia: enquanto a produção de cativeiro (tilápia) manteve preços mais estáveis, os peixes de captura e importados sofreram altas expressivas:

Em bares e restaurantes (Food Service), o setor registrou aumento de 20% no faturamento voltado a pratos de pescado. A Abrasel destacou que 2026 superou os números de 2025, com estabelecimentos criando menus específicos para atrair o público que evita carne vermelha.

Na região norte, em capitais como Manaus e Belém, a quaresma movimenta espécies nativas como Tambaqui, Jaraqui e Matrinxã. No Pará, o consumo per capita médio no período chega a ser 4 vezes maior que a média nacional (aprox. 11kg/habitante).

No varejo de luxo em estados como Brasília e São Paulo, houve um aumento na procura por peixes de águas frias e cortes nobres (como o Lombo de Bacalhau e Salmão), apesar da volatilidade do câmbio que afetou as importações.

Minas Gerais manteve a tradição religiosa como o principal motor do consumo no primeiro trimestre de 2026.

O aumento na demanda para os lojistas do Mercado Central de BH e grandes redes de supermercados estimaram um crescimento de até 20% nas vendas durante o período quaresmal. Outro local tradicional em BH é o a região da Lagoinha e o bairro vizinho Bonfim, em Belo Horizonte, são pontos tradicionais de alta procura e comercialização de pescados durante a Semana Santa. A área concentra diversas peixarias conhecidas e é palco de uma famosa distribuição solidária de peixes.

O pico de consumo teve sua maior concentração de vendas na semana de 30 de março a 5 de abril (Semana Santa), com o setor de food service mineiro registrando alta procura por pratos típicos como o lombo de bacalhau e o surubim.

Foi feita uma análise de preços (Fevereiro a Abril de 2026) com dados do site Mercado Mineiro e do aplicativo ComOferta revelaram uma inflação sazonal acentuada, mas com oportunidades para o consumidor que realizou pesquisa prévia:

Destaque: O Bacalhau Saithe foi o campeão em disparidade de preços, sendo encontrado desde R$ 49,90 até R$ 175,99 na capital mineira. Já a Sardinha, que havia subido mais de 30% no início da Quaresma em fevereiro, apresentou uma deflação próxima à Semana Santa, tornando-se a opção mais econômica no estado de Minas Gerais.

Minas Gerais consolidou-se em 2026 como o segundo maior produtor de peixes do Brasil, atrás apenas do Paraná.

  • Tilápia: O estado é um gigante na produção desta espécie, especialmente nas regiões de Furnas e Três Marias. Durante a Quaresma, a oferta mineira foi fundamental para abastecer não apenas o mercado interno, mas também os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

O comportamento do consumidor mineiro foi para uma migração para a tilápia, pois, devido ao alto custo do bacalhau (que chegou a bater R$ 350/kg em cortes de luxo na Grande BH), o filé de tilápia tornou-se o substituto oficial na mesa das famílias mineiras.

O consumo de proteínas alternativas, de acordo com o relatório do Ipead-UFMG indicou que muitos consumidores em Minas optaram pelos ovos como alternativa. Curiosamente, enquanto o peixe subia, a dúzia de ovos em BH registrou queda de 13,4% em relação ao ano anterior, custando em média R$ 12,59.

Em geral cenário de 2026 demonstrou que o setor de pescado no Brasil, e especificamente em Minas Gerais, atingiu um novo patamar de maturidade logística e produtiva.

Mesmo diante de desafios inflacionários e da volatilidade do câmbio, os números confirmam a força dessa tradição.

O sucesso das vendas em 2026 deixa um legado de otimização de estoques e reforça a necessidade de investimentos contínuos em rastreabilidade e sustentabilidade, fatores que o consumidor passou a exigir com mais rigor.

O setor encerra este período com faturamento em alta e a confiança renovada para o restante do ano.